FisicaNet - Prof. Alberto Ricardo Prass

Marcando uma mudança histórica em seus 36 anos de existência, o Ig Nobel celebrou sua cerimônia anual em Zurique, Suíça, coroando pesquisas bem-humoradas de todo o mundo.

Pesquisadores premiados no Ig Nobel em Zurique
Na 36ª cerimônia do Prêmio Ig Nobel, realizada em Zurique, pesquisadores receberam prêmios por estudos inusitados. (Crédito: Claudio Thoma / Keystone via AP)

Resumo

Pela primeira vez em seus 36 anos de história, a cerimônia do Prêmio Ig Nobel — cujo lema é "primeiro fazer rir, depois fazer pensar" — foi realizada fora dos Estados Unidos, tendo como sede a cidade de Zurique, na Suíça. A mudança definitiva e por tempo indeterminado ocorreu em resposta a preocupações crescentes com segurança, restrições de vistos e barreiras políticas para pesquisadores internacionais.

A mudança para a Europa e os desafios de imigração

A decisão de transferir o evento foi tomada em março pelos organizadores após a edição anterior ser severamente afetada pela ausência de quase metade das equipes vencedoras, barradas por restrições de vistos e políticas de imigração. Marc Abrahams, fundador dos prêmios e editor da revista de humor científico Annals of Improbable Research, destacou que a mudança buscou um ambiente mais acolhedor.

Vários vencedores relataram alívio e apoio à iniciativa. O físico dinâmico Tadd Truscott, premiado pelo design de um mictório sem respingos, apontou que restrições severas de fronteira dificultam a participação de estudantes internacionais nos EUA, chegando a relatar episódios extremos de retenção de alunos na alfândega. Para o zoólogo brasileiro João Miguel Alves Nunes, doutorando da Universidade de São Paulo e vencedor na categoria de biologia por estudar o comportamento de botes de serpentes venenosas, a oportunidade marcou sua primeira viagem internacional e sua primeira vez em um avião, reforçando que "a ciência pertence ao mundo, não a um único país".

Vencedores inusitados e o apoio institucional europeu

A cerimônia em Zurique atraiu enorme público, com ingressos esgotados em poucos dias para o local de 1.500 lugares. Entre os premiados da edição destacaram-se:

  • Ilona Croy: Neurocientista da Universidade Friedrich Schiller de Jena, premiada no quesito olfato por pesquisar pais que consideram o cheiro de bebês muito melhor que o de adolescentes, recebendo como troféu uma nota sem valor de 10 trilhões de dólares do Zimbábue e um objeto temático de fungos.
  • Matilda Brindle: Bióloga evolutiva da Universidade de Oxford, premiada em biomecânica por estabelecer definições precisas para o ato de beijar em animais como pássaros, formigas e ursos polares.
  • João Miguel Alves Nunes: Pesquisador da USP, premiado em biologia por experimentos de aproximação com cobras peçonhentas.

Diferente de antigos anfitriões norte-americanos como Harvard e MIT, instituições acadêmicas da Suíça — incluindo a Universidade de Zurique e o instituto ETH Zurique — ofereceram financiamento institucional direto para o evento. Os organizadores anunciaram que a próxima edição ocorrerá em Antuérpia, na Bélgica, alternando anualmente entre Zurique e outras cidades europeias.

Referências Bibliográficas

Science. (2026). Ig Nobel hosts science’s silliest ceremony outside U.S. for first time. Disponível em: https://www.science.org/content/article/ig-nobel-hosts-science-s-silliest-ceremony-outside-u-s-first-time