A física de plasmas e a engenharia nuclear alcançaram um novo patamar histórico. A China concluiu e testou com sucesso o que já é considerado o maior ímã de fusão do mundo — um imponente ímã toroidal de 582 toneladas projetado para servir como o coração do reator de fusão de próxima geração do país.
Construído no Instituto de Física de Plasma em Hefei, o enorme ímã supercondutor superou com excelência todas as etapas de testes de parâmetros e está pronto para se integrar definitivamente ao projeto de fusão BEST (Burning Plasma Experimental Superconducting Tokamak), cuja conclusão está programada para 2027.
A principal função desse colosso magnético ilustra um dos maiores desafios da física moderna: conter um plasma superaquecido a mais de 100 milhões de graus Celsius sem permitir que ele entre em contato físico com as paredes do reator — uma temperatura drasticamente superior a qualquer ponto de fusão conhecido na matéria convencional.
Para resolver esse problema, dezesseis bobinas supercondutoras idênticas formarão um anel magnético fechado capaz de gerar um campo de cerca de 6,5 teslas. Essa força é perfeitamente calibrada para aprisionar o plasma e manter estável a reação de fusão nuclear em seu interior.
De acordo com os pesquisadores responsáveis pelo projeto, o novo ímã armazena quase três vezes mais energia magnética do que qualquer bobina individual desenvolvida para o reator internacional ITER, em construção na França. Esse avanço consolida a posição de vanguarda da China na corrida tecnológica rumo à geração comercial de energia limpa.
Apesar de ainda restarem barreiras técnicas significativas para tornar a fusão viável em escala global, a validação bem-sucedida do maior ímã de fusão já construído representa um passo monumental no esforço secular da humanidade para dominar a energia das estrelas aqui na Terra.