Primeiro, em relação àquilo a que chamamos água, quando congela, parece-nos estar a olhar para algo que se tornou pedra ou terra, mas quando derrete e se dispersa, esta torna-se bafo e ar; o ar, quando é queimado, torna-se fogo; e, inversamente, o fogo, quando se contrai e se extingue, regressa à forma do ar; o ar, novamente concentrado e contraído, torna-se nuvem e nevoeiro, mas, a partir destes estados, se for ainda mais comprimido, torna-se água corrente, e de água torna-se novamente terra e pedras; e deste modo, como nos parece, dão geração uns aos outros de forma cíclica.
PLATÃO. Timeu-Crítias. Coimbra: CECH, 2011.
Do ponto de vista da ciência moderna, os "quatro elementos" descritos por Platão correspondem, na verdade, às fases sólida, líquida, gasosa e plasma da matéria. As transições entre elas são hoje entendidas como consequências macroscópicas de transformações sofridas pela matéria em escala microscópica.
Excetuando-se a fase de plasma, essas transformações sofridas pela matéria, em nível microscópico, estão associadas a uma
O texto apresenta a visão de Platão sobre os “quatro elementos” (terra, água, ar e fogo), relacionando-os às transformações da água entre gelo, líquido e vapor. Do ponto de vista da ciência moderna, essas transformações são entendidas como mudanças de fase da matéria: sólida, líquida e gasosa (desconsiderando aqui o plasma).
Em nível microscópico, a passagem entre essas fases não envolve mudança de tipo de átomo, nem de elemento químico, mas sim uma alteração na forma como as partículas (moléculas ou átomos) estão organizadas e interagindo entre si.
Nas mudanças de fase:
Essas diferenças decorrem de uma mudança na estrutura espacial formada pelos constituintes do material (moléculas ou átomos), e não de:
Logo, do ponto de vista microscópico, as transformações entre as fases sólida, líquida e gasosa estão associadas a uma:
mudança na estrutura espacial formada pelos diferentes constituintes do material.
Essa descrição corresponde exatamente à alternativa (D).