Regressão Linear: da Física Experimental à Ciência de Dados e ao Aprendizado de Máquina
Prof. Alberto Ricardo Präss
PrassTek Quantum Computing
13. Quando uma variável não é suficiente
Muitos fenômenos físicos dependem simultaneamente de várias grandezas. Podemos então generalizar a regressão linear para múltiplas variáveis:
\[
y=
\beta_0+
\beta_1x_1+
\beta_2x_2+
\cdots+
\beta_px_p
\]
Esse modelo continua sendo chamado de linear porque é linear nos parâmetros \(\beta_i\), mesmo que possa envolver várias variáveis independentes.
Em notação matricial:
\[
\mathbf{y}
=
\mathbf{X}\boldsymbol{\beta}
+
\boldsymbol{\varepsilon}
\]
Essa forma é particularmente importante para a Física computacional porque permite tratar grandes conjuntos de medidas utilizando álgebra linear.
A mesma estrutura matemática aparece em calibração de instrumentos, análise de sinais, processamento de dados experimentais, espectroscopia e diversas áreas da Física moderna.
14. Como realizar uma regressão linear em um experimento de Física?
Um procedimento didático pode seguir as seguintes etapas:
-
Definir a pergunta física.
O que desejamos determinar ou testar?
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Escolher o modelo.
Qual relação teórica esperamos entre as grandezas?
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Planejar as medições.
Devemos escolher adequadamente a faixa de valores e a resolução dos instrumentos.
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Coletar os dados.
Registrar os valores e suas respectivas incertezas.
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Escolher as variáveis.
Se necessário, linearizar o modelo.
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Realizar a regressão.
Determinar os parâmetros da reta.
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Analisar os resíduos.
Verificar se existem padrões sistemáticos.
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Determinar as incertezas.
Não apresentar apenas os valores centrais.
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Interpretar fisicamente os parâmetros.
A inclinação e o intercepto possuem unidades e significado físico?
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Comparar com a teoria.
O resultado experimental é compatível com o valor esperado?
Esse procedimento é muito mais importante para a formação científica do estudante do que simplesmente ensinar a apertar o botão "linha de tendência" de uma planilha.